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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Antônio Caldas/https://www.facebook.com/antoniocaldascn

‎"(...) Certa vez eu ouvi que um homem falava antes de falecer:

- Fiz muitas coisas necessárias, conquistei a maioria dos meus objetivos em minha vida, mas não vivi o essencial. Não vivi o que era importante. Permaneci distante do que eu sou. Representei durante a toda a minha vida o papel de alguém que não era eu mesmo. A maior parte do tempo eu não tive tempo para mim, para minha família, para as minhas amizades. Eu não tinha consciência disto!

Este homem tinha uma grande família, era um homem rico, dono de muitas empresas, tinha um grande patrimônio e tinha feito boas coisas na vida. E alguém que o acompanhava nos instantes finais tentava fazê-lo compreender que a alma estava nele e em tudo que ele havia realizado. E ele respondeu:

- Sim, talvez! Mas, eu não a sinto.

Aprendemos a projetar os nossos sonhos no futuro. Mas, e o caminho?

Deve ser muito difícil constatar, no final, que vivemos uma vida sem real sentido, sentirmos este vazio no coração, percebermos que não vivemos o essencial. Deve ser muito difícil constatar, no final, que o nosso sonho não estaria no fim; que o sonho acontece ao longo do caminho; e que nós não vivemos e nem sentimos o caminho. Deve ser muito difícil constatar, no final, que para nós termos sido felizes e termos nos realizado nós teríamos que ter feito do caminho o sonho de nossa Vida.

Deve ser muito difícil para qualquer um ter esta consciência quando já está se indo. Um grande sofrimento deve acontecer na alma. Porém, se esta consciência nos veio e ainda há tempo, se nós tivermos que lutar por algo, que seja, primeiro, pela nossa conexão interior; que seja, primeiro, para aprender a ser feliz e a partir da nossa felicidade nos realizarmos; que seja, primeiro, pelo amor que alma anseia tanto experimentar a partir da nossa realização.

Aí sim, deixaremos a nossa fragrância no mundo, pois, a partir da nossa felicidade a realização acontecerá. A partir da nossa realização os anseios da alma serão vividos, e de formar consciente. A partir da nossa conexão interior a alma viverá. Somente a partir da conexão interior a alma vive, se vive a Vida.

Eu me lembro da história de um homem do ocidente, um advogado e executivo, que decidira aprender a arte do arco-e-flecha com um mestre do oriente, um mestre zen. Em pouco tempo este homem se tornou cem por cento perfeito. Não errava um alvo. E, então, ele disse ao mestre:

- Agora, o que me resta aprender aqui? Já posso ir? Você pode me dar meu certificado?

- Você pode ir, mas não aprendeu o essencial da arte que eu ensino - disse o mestre.

- O essencial? Mas, eu sempre acerto o alvo!

- Quem está falando em alvo? Qualquer um pode chegar aqui e fazer isto. Basta praticar. Agora é que começa o seu aprendizado. Quando um arqueiro pega o arco e a flecha e mira o alvo, há o arqueiro, o mais fundamental e básico, a fonte, a essência. Há a flecha, o que passará do arqueiro para o alvo. E o olho do tigre, o alvo, o ponto mais distante. Você tem acertado o alvo, o ponto mais distante, você aprendeu a técnica, você aprendeu o superficial. Você se tornou um especialista em atingir o alvo, um técnico. Mas, se quiser realmente experimentar a arte que eu ensino, você necessita compreender que o alvo não está fora, o alvo está dentro. Você necessita aprender a tocar a fonte, manter-se conectado a ela, sentir o que você está fazendo, fazer a partir da fonte e não a partir do alvo que está fora, da periferia.

E o mestre continuou:

- A flecha se movimenta a partir de você, mas, você não sabe de onde vem a energia que a movimenta, não está ciente disto. Não está ciente do que acontece através de você quando você está fazendo. Você não está consciente da força que o move e com isto perde toda a experiência. Você não conhece o arqueiro, você nada sabe sobre isso. Você se tornou um especialista, uma pessoa de conhecimento, mas não de sabedoria. Você está preocupado com o alvo fora. Você está vazio por dentro. E se você já está satisfeito, pode ir. Porém, não poderá levar o certificado, pois, não aprendeu a arte que eu ensino. Se quiser o certificado, continue a treinar, mas perceba a si mesmo naquilo que você está fazendo. Quem acertou o alvo? Quem é o arqueiro? (...)"
Antônio Caldas